Noite calma, envolta a pequenas luzes dançantes.
O som mais próximo era o tilintar dos gelos no copo em minha mão direita, a esquerda estava guardada no bolso de forma fugitiva.
Encostada na parede, foi meu lugar escolhido, onde as luzes chegavam tímidas, fiquei ali, e já não sabia,
se era eu a me apoiar na parede, ou a parede a se acomodar às minhas costas, eu sentia o peso.
Era notável minha indiferença aos olhares, aos convites e às vozes ao ouvido.
Mas havia ali algo imune a meu gelo além do copo, assim como o Saxofone, e aquele doce grave imponente do Jazz.
Fiquei ali, em meio aquelas luzes tímidas e confortáveis, meu Jazz e meu copo sonorizando como parte do arranjo musical.
Em meu peito brilhou meu amuleto, tirei a mão do bolso, num movimento suave e rápido e tamborilei alguns compassos
com as pontas dos dedos e pus o simbolo para dentro da blusa de forma egoísta e protetora.
A noite estava apenas começando, e eu sentia como se já estivesse ali horas em pé, devia ser a viajem
no tempo com a minha memória no qual o Jazz me arrastava, ou era aquele líquido denso e escuro, magicamente recriado em meu copo.
Por onde meu espírito viajava que nunca pegava uma aproximação?
Aliás, quantas pessoas havia se aproximado e encontraram a porta inabalavelmente fechada?
Minha última lembrança daquela noite foi Dean Martin ao meu ouvido cantando I'd cry like a baby...
Quando dei por mim, luzes fortes do sol me estapeavam o rosto, vindo pela fresta de uma cortina.
I'd let out a wail that would be heard to the moon

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