No quarto


A claridade era tão intensa e quente que não consegui abrir totalmente os olhos ainda expostos, então virei para o outro lado procurando um conforto, eu sentia o colchão meio torto de forma estranha, mas minha atenção foi diretamente para a dor e o peso na minha cabeça, ainda tonta tentei abrir os olhos, a impressão que tive era de ter os olhos ainda meio fechados, mais já estava com as sobrancelhas altas se esticando tentando abrir os olhos, foi quando dei conta do que havia acontecido àquela passagem de noite para o dia, pelas frestas que haviam em meus olhos girei lentamente a cabeça tentando focalizar onde eu estava e num alívio reconhecia aquelas cortinas lilás num tom suave, com um imponente acabamento com rendas e babados. Então como de costume apalpei a cama ao redor para achá-lo, tive de me esticar mais alguns centímetros para alcançar com certa dificuldade vi a hora em meu celular e entender o porquê aquelas luzes que me acordaram foram tão inconvenientes, eram 14h da tarde, quando o sol pegava em cheio naquela determinada hora do dia. Comecei a tentar juntar os quebra-cabeças.

Por que eu estava com os olhos tão inchados, a ponto de ver somente por pequenas frestas, e a cabeça que juntas causariam aquela situação. Eu lembrava que havia bebido um pouco a mais noite passada, mas o segundo motivo mesmo que por experiência, me era óbvio, eu não tinha nenhuma lembrança na memória para resgatar.
Em um impulso preocupado me sentei na cama, juntei os cabelos que se espalhavam em meu rosto de forma desordenada e fiz um embolo até que arrumadinho para trás de um jeito que ficou preso, só não sabia por quanto tempo ficaria preso, enquanto isso eu olhava em volta para ter pistas do que acontecera.
Percebi que o edredom estava jogado para o lado de um jeito diferente ao que eu costumo fazer, minha roupa que havia vestido para sair ontem era vista do lado esquerdo da cama logo abaixo da janela, tive um impulso de levantar e tirar minhas coisas do chão me incomodou demais ver aquilo, que havia sido o besta a fazer isso com minhas coisas, então já com o pé esquerdo ao chão, senti uma firme e forte segurando meu ombro direito de uma forma que travei no impulso com certa raiva olhei imediatamente para o lado direito, e no mesmo instante minha boca caiu, e sentiu um misto de vergonha, satisfação, vergonha, felicidade, vergonha, vontade de pular no pescoço daquele homem, vontade de me enfiar embaixo do edredom para me esconder. E nesse impasse, fiquei  paralisada olhando para ele ainda com a boca aberta, não havia como me mexer eu nem conseguia ao menos piscar os olhos, e ele acho que por provocação, calmamente sentou ao meu lado, me fazendo sentir a presença dele tão perto, ver seus olhos e sua boca tão perto me fizeram estremecer , sem um som ficou ali me olhando para mim com cara de interrogação, então a vaidade soltou o grito:
- Para de me olhar, estou horrível! Eu disse com a voz num timbre fraco e nervoso.
Fui caminhando pelo quarto sem saber o que ia fazer...


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